Ligando tudo ao todo

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Pulp Fictions I

In Arte, Artigo, Cultura, Internet, Literatura, Variedades on 11 novembro, 2009 at 7:49 am
“Coisas estranhas e instigantes acontecem e nos fazem sonhar com o que a ficção especulativa brasileira poderia fazer, adaptando influências estrangeiras, descobrindo estratégias para a representação da realidade local, se as condições fossem outras.”
Roberto Causo
Pulps

A história dos Pulps começa em 1896, quando o editor Frank Monsey resolveu transformar uma revista para meninos, The Argosy, numa revista de ficção adulta. O papel, mais barato, era feito da polpa da árvore, daí o nome pulp (polpa). A publicação custava apenas um centavo, o que a tornava acessível a todos.

Nos Pulp Ficitons surgiram: Trazan, Doc Savage, Capitão Futuro, Conan, Buck Rogers, Fu Manchu, O Sombra e muitos outros.

O escritor Walter Gibson, sob o pseudônimo de Maxwell Grant escreveu nada menos que 283 histórias do personagem, transformando-o num fenômeno mundial. Até no Brasil o Sombra chegou a ter um programa de rádio.

Os Pulps apresentavam histórias sombrias e fantasiosas sobre combatentes do crime, ameaças alienígenas, monstros, heróis, anti-heróis, ficção científica, terror, faroeste e até revistas sobre submarinos, zepelins e coisas do tipo.

Revelou autores como: Edgar Rice Burroughs, Edmond Hamilton, Isaac Asimovc, Ray Bradbury e Dashiell Hammett, autor de O Falcão Maltes e criador do romance noir, que teria grande influência sobre escritores badalados, como o brasileiro Ruben Fonseca.

Nota: O texto [ na íntegra ] tem idéias e explanações originais pinçadas dos seguintes autores: Ivan Carlo, Roberto Causo, Braulio Tavares, João Adolfo Hansen, Jackson do Pandeiro e Gabriel Garcia Márquez.

Continua…

Meu nome é Hugo e eu compartilho arquivos

In Artigo, Código Aberto, Creative Commons, Direitos Autorais, Educação, Internet, Literatura, Música, Medula, Negócios, Outros, Política, Tecnologia, Variedades on 9 novembro, 2009 at 10:33 am

Por lógica, quando você paga por alguma coisa essa coisa passa a ser sua e você pode fazer com ela o que quiser, basicamente. Desde que respeite os direitos do autor. Por exemplo: eu comprei um livro, o livro é meu e eu posso ler, queimar, rasgar, dobrar as orelhas, fazer anotações e principalmente compartilhá-lo. Sim, emprestar um livro a um amigo é compartilhar arquivos. Um estudo diz que um livro comprado geralmente pode ser lido por cinco, até dez pessoas. Isso é compartilhar arquivos.

O que eu não posso fazer com o livro é desrespeitar os direitos do autor, ou seja, não posso sair por aí dizendo que foi eu quem o escrevi. Mas vejam só, depois que eu li o livro e todos os amigos a quem emprestei o livro o leram, eu posso vendê-lo à uma loja de livros usados. E isso não é considerado crime.

E em muitas dessas lojas de usados, se vende e se compra CD de músicas, filmes, jogos e até mesmo programas de computador. E isso não é considerado crime.

Mas se você compartilha arquivos pela Internet, mesmo os arquivos que você pagou, isso sim é crime.

Aqui morre toda a lógica da DRM ( Digital Rights Management ). São dois pesos e duas medidas, sempre lembrando que a Lei de Direitos Autorais não é uma lei moral e sim uma lei de regulamentação prática, sempre “emendada” à favor de interesses econômicos, por vezes, distantes da lógica dos demais direitos e da moral.

Quando você pega um livro emprestado em um biblioteca, você está compartilhando arquivos. Quando você chama seus amigos até a sua casa para assistirem um DVD que você comprou legalmente ou alugou em alguma locadora de filmes, vejam só, você está compartilhando arquivos! Você não vai ser preso por isso, pode ter certeza.

A DRM é o oposto a difusão de conhecimentos. Por conseqüência, é oposta ao conceito básico da internet e dos computadores.

Como diz Cory Doctorow, o computador nada mais é do que uma máquina que manipula bits e a internet nada mais é do que uma “máquina” que transporta bits de forma rápida e barata e ponto final.

Um sistema que vai contra essas premissas básicas, não pode ser lógico, não pode ser aceito e com certeza, não deve perdurar.

http://matrixordinaria.blogspot.com/

Experiência de consumo, downloads pagos, downloads gratuitos e novas idéias [ Atualizado ]

In Arte, Artigo, Código Aberto, Comunicados, Cultura, Direito Autoral, DRM, Ebook, Horror, Ilustração, Internet, Literatura, Release, SOUNDTRACK, Tecnologia, Terror, Trilha Sonora, Variedades on 9 novembro, 2009 at 10:00 am
Empresas oferecem sites que são apenas sites. Não há nada de novo sob o sol. Por sites, entenda janelas coloridas que nem sempre fazem sentido.

A credibilidade das grandes empresas e grandes marcas não justificam mais a preferência. Por exemplo, o que faz alguém optar por um programa de código aberto, como o Firefox, ao invés de utilizar o Intenet Explorer, que com certeza já está instalado em seu computador?

Dizer que isto ocorre em função do navegador ser gratuito é negar a complexidade do que vem acontecendo no mundo digital. Afinal, quando você compra seu computador você já pagou os serviços básicos que estão dentro dele, como o IE.

Diferente de sites que são apenas sites, de empresas que são apenas empresas e produtos que são apenas produtos, o Firefox oferece coisa nova. Uma nova maneira de navegar, uma nova maneira de lidar com o produto/serviço, através da da navegação customizada e da possibilidade de participar da construção de novas interfaces através do código aberto.

E este é atualmente o fator determinante do sucesso da economia online: a experiência de consumo.

Em seu artigo, Descobrindo a Experiência de Consumo, Marcio Reis diz que:

“A experiência de consumo de um produto tanto pode residir nos aspectos tangíveis como o produto em si (o desenho do interior de um veículo ou a rapidez de um serviço online), sua apresentação ao consumidor e seu preço, como nos intangíveis, desde a famigerada marca e seus valores até um processo de compra adaptado ao produto (para citar um mal exemplo, algumas online stores insistem em vender música digital usando a mesma experiência de compra dos CDs, mudando “apenas” o formato de entrega e deixando de gerar vendas e fidelização dos clientes através da experiência de consumo do download). Tangíveis ou não, os elementos que formam a experiência de consumo estão presentes em todos os produtos, sejam digitais, físicos ou qualquer mistura entre um e outro tipo. E encontram-se em lugares onde não está nem mesmo o dinheiro, como um fim de semana sem fazer nada (a rigor, uma experiência de consumo de tempo que pode substituir a experiência de consumo de vários produtos e serviços de entretenimento, exemplo de como até modelos de análise de concorrência precisam ser lidos de forma mais ampla).”

Antigas fórmulas não vão funcionar, e isto é um fato. Para ilustrar melhor essa idéia, pense sobre este exemplo apresentado no mesmo artigo:

“Já que o Google anda em voga ultimamente, pense um instante se o segredo desse serviço está na sua simplicidade (que diminui dia após dia, a cada novo recurso incorporado), na rapidez e inteligência do serviço de busca (que é tecnologia pura, pode ser igualada e até mesmo superada por outras empresas), na marca (que não traz informação concreta que afirme se a popularidade do neologismo ‘to Google’ ou a simpatia às logomarcas comemorativas são causa ou conseqüência da adoção do serviço) ou se o toque de Midas está na agradável experiência de consumo do serviço, descrita em relatos como ‘lá eu encontro tudo que quiser; até o inimaginável se eu procurar, está lá’.”

Enquanto não houver uma novidade em termos de experiência de consumo, sites serão apenas sites.

Stephen King tentou contar com a honestidade de seus leitores, quando disponibilizou o livro digital “A Planta” em seu site, dizendo que cobraria um dólar pelo download de cada capítulo. O livro estava disponível, mesmo para quem não quisesse pagar por ele. King alertou que, caso 75% dos downloads não fossem pagos, ele pararia de escrever o livro. No primeiro mês o número de downloads pagos atingiu 76%, no segundo mês, não.

Muitos pagaram, King recebeu inclusive notas de um dólar pelo correio e até mesmo um dólar de prata. Não podemos esquecer, contudo, a lealdade já conhecida de seus fãs. Mesmo assim, a coisa toda não deu certo. Será que um escritor desconhecido conseguiria 30% de downloads pagos?

De qualquer forma, O que Stephen King fez, foi estabelecer uma nova maneira de seus leitores lidarem com seu produto/serviço. Talvez não tenha sido a melhor delas. Qualquer economista recomendaria não contar com a honestidade de seus clientes como principal estratégia de vendas, a menos é claro, que você seja dono de alguma seita. Mas ele tentou algo inédito e que serviu para nos mostrar que novas idéias, mesmo quando não funcionam, nos levam à novas idéias que talvez possam funcionar.

Não podemos nunca esquecer que um site não deve ser apenas uma janela para sua marca, seu produto ou serviço, um site deve oferecer uma nova maneira de lidar com tudo isso.

Um site deve, pelo menos, seguir os princípios básicos da internet, ou seja, tornar o acesso mais amplo, mais rápido, mais cômodo e/ou mais barato.

Se o seu site não faz isso, então ele é apenas um site. Apenas uma janela colorida que nem sempre faz sentido.

Com meu blog eu consegui oferecer meus livros à um número significativamente maior de leitores. Com as edições de pequenas editoras e de autor, a tiragem sempre é pequena, a divulgação é quase nula e a renda, mínima.

Ao disponibilizar meus livros neste blog tornei o acesso mais amplo, mais rápido, mais cômodo e mais barato.

Alguém pode dizer: “mas você não está ganhando dinheiro com isso!”.

E é verdade, mas antes eu também não estava.

Contudo, algo mudou e para melhor. Tive mais leitores em um mês do que em alguns anos de “carreira”. Não tive gastos com editoração, impressão, divulgação e distribuição. Recebo e-mails diários de leitores elogiando, incentivando, criticando, discutindo a trama dos livros, fazendo perguntas sobre personagens e pedindo mais. Alguns, poucos ainda, perguntam sobre uma possível publicação em papel, dizendo-se interessados em adquirir o livro em seu formato tradicional. [ Que já estão disponíveis para venda! ]

Estou tentando coisas novas. O livro TRASH Volume I, por exemplo, tem até trilha sonora. Por enquanto esta idéia está funcionando dentro das metas que havia proposto. Futuramente não sei o que virá. Estou acompanhando o mercado, as tendências, os autores tradicionais, os autores virtuais e suas novas idéias e propostas.

Disciplina e paciência são tão importantes nesse caso, quanto as novas idéias.

E que venham as novas idéias!


Nota: citação Marcos Reis Pinto www.marcioreispinto.org

O mundo é livre

In Arte, Artigo, Código Aberto, Crônica, Creative Commons, Cultura, Direito Autoral, Internet, Literatura, Música, Tecnologia, Variedades on 13 janeiro, 2009 at 8:56 pm
Publicado originalmente por Bruno Dorigatti em 09/04/2008.

O futuro dos negócios e da remuneração de quem produz a cultura – bem imaterial hoje circula livremente pela internet – é… distribuir tudo de graça. Saiba como este conceito se torna cada vez mais a norma, em vez de uma anomalia.

O século XX viu florescer a indústria cultural tal qual a conhecíamos até bem pouco tempo. Em verdade, ela ainda segue ditando os padrões. E usa de seu enorme poder econômico e político para tentar manter o jogo a seu favor. Não tem dado muito certo, como vimos anteriormente [leia Pirata bom, pirata mau e Indústria vs. Cultura livre].

A rápida transformação tecnológica, a que assistimos desde o final do século passado, segue produzindo também mudanças na relação que temos com a cultura – que deixou de abarcar simplesmente produtos culturais materiais. A noção imaterial de cultura, intangível, retorna com força neste início de novo século. Não a toa que a Inglaterra foi o primeiro país do planeta a criar um Ministério de Indústrias Criativas, conceito novo que engloba não somente as atividades culturais.

O desenvolvimento dessas indústrias está estreitamente ligado ao impacto das novas tecnologias na produção, nos mercados e na organização das atividades econômicas, sociais e culturais. Os modos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que utilizam o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como seus principais recursos produtivos podem ser consideradas indústrias criativas. Entre elas, a arte folclórica, festivais, livros, pinturas, artes da interpretação, passando pelas tradicionais indústrias cinematográfica e de radiodifusão, animação digital e videogames, bem como os campos conhecidos como serviços, como os arquitetônicos e de publicidade. [Leia mais a respeito na entrevista com Anna Jaguaribe]

Perde cada vez mais sentido pensarmos somente em CDs, DVDs e livros como formas principais de remuneração dos produtores de arte e cultura. Tudo circula livremente pela internet e de agora em diante a remuneração virá, de forma crescente, de outros meios. Já sabemos que em Belém do Pará, por exemplo, o dinheiro dos grupos de tecnobrega vem dos shows e apresentações. Mas aí estamos falando de um mercado novo, até bem pouco tempo marginal, e que foi, em outro passo em falso da indústria, recusado pela mesma.

De forma crescente, os jovens e adolescentes deixam de comprar CDs. A pesquisa foi feita nos Estados Unidos, mas reflete o panorama no planeta inteiro. Em 2007 quase metade da garotada, 48%, não comprou sequer um mísero disquinho. Em 2006 a cifra era de 38%, segundo informa pesquisa da Nielsen – realizada com 5 mil pessoas que responderam a um questionário on-line e divulgada em matéria do Los Angeles Times de fevereiro. As vendas de discos caíram 19% em 2007, enquanto que a venda de música digital subiu 45%.

Na China, a estimativa é de que 99% de todos os arquivos de música que circulam pela rede, ou nas calçadas das grande cidades, são “piratas”. Dado como causa perdida, os artistas chineses têm apostado em outras formas para serem remunerados, como a crescente participação em comerciais de grandes empresas.

Long Tail

Uma idéia desenvolvida por Chris Anderson e publicada em 2004 na Wired, revista editada por ele, sugere um cenário diferente que poderia ser aproveitado pela indústria. Ele a chamou de Cauda Longa (Long Tail). Saiu em livro no exterior, em 2005, e no Brasil foi publicado pela Campus Elsevier em 2006.

Vivemos, até então, a era da escassez. Um disco obscuro de um blueseiro do Delta do Mississipi, lançado nos anos 1930, ou um curta-metragem de Glauber Rocha, até bem pouco tempo atrás eram praticamente impossíveis de serem encontrados. Nas lojas, ainda continuam na mesma situação ou, na pior das hipóteses, se encontra o disco de blues, importado e na faixa dos R$ 70. Glauber Rocha, somente agora começa a ter seus filmes de longa-metragem digitalizados. Os curtas ainda terão que esperar. Por outro lado, a janela que se abre com a internet é a da abundância.

Outra mudança considerável é a respeito dos blockbusters e hits dos astros pops, que, segundo as gravadoras e produtoras de filmes, eram responsáveis por financiar todo o resto da produção que não se pagava. A mesma lógica é utilizada aqui no Brasil por algumas grandes editoras para justificar os altos investimentos em livros de autores estrangeiros, que, best-sellers certos, ajudariam a bancar a publicação de novos autores, que saem com pequena tiragem, mil exemplares, se tanto, e geralmente encalham nos estoques. O Princípio de Pareto, do economista italiano Vilfredo Pareto, desenvolvido em 1906, falava em uma regra de 80/20 (80% das consequências advém de 20% das causas), ou seja, somente 20% dos filmes das grandes produtoras terão sucesso comercial, assim como os programas de TV, os videogames e os best-sellers. No caso da música, é ainda pior, onde apenas 10% alcança sucesso, segundo a RIAA.

A lógica da indústria – de que ela nos dá o que queremos – vem sendo derrubada dia após dia. Queremos hits, mas não só. Quanto mais conhecermos algo (o trabalho de um artista, diretor de cinema, quadrinhista, ou de um fotógrafo, etc.), mais procuraremos e a facilidade que a internet proporciona tem demonstrado que queremos mais, muito mais.

Outro mito que vem caindo é que somente os hits fazem dinheiro. Executivos de sites que vendem música e livros, como o iTunes (venda de música on-line) e a Amazon sabem que não somente os grandes produtos de massa fazem dinheiro. E como estes são em número muito maior, um novo mercado vem se desenhando rapidamente. Até porque os custos de manufatura e distribuição têm caído cada vez mais, chegando a zero muitas vezes, já que agora falamos de serviços digitais. O monopólio do lucro não está mais necessariamente associado à popularidade do produto cultural.

Esta seria a Cauda Longa, onde pequenas e poucas vendas de um catálogo infinito e disponibilizado trariam um retorno maior que os hit makers e quetais. O catálogo inteiro com todos os discos de uma banda, por exemplo, mas não só. Apresentações ao vivo, CDs demo, lados B, remixes, covers, shows ao vivo, gravações do disco no estúdio. E a remuneração vem destas pequenas vendas, de um catálogo muito maior, disponibilizado on-line, quebrando a tirania da necessidade material e física da produção cultural, bem como de um espaço físico necessário para armazenar tudo isso. Isso já ocorre, ainda que numa escala distante do que será em breve. Porém, é um caminho sem volta, e mais uma vez a grande indústria só agora começa a levar o tema a sério. Como afirma o consultor da indústria fonográfica Kevin Laws, citado por Anderson, “o grosso do dinheiro está nas pequenas vendas” (“the biggest money is in the smallest sales”).

Freaky land of free!

Em fevereiro deste ano, Anderson publicou na mesma Wired outro artigo, desdobramento do primeiro e prévia de seu novo livro. “Free! Why $0.00 is the future of business” começa lembrando a história de King Gillette, que, aos 40 anos, era um inventor frustrado e um amargo anticapitalista. No início do século passado, ele desenvolveu as populares lâminas de barbear descartáveis, que levam o seu nome e viraram sinônimo dos aparelhos de barbear. Foi o primeiro a se utilizar do conceito de que, dando os aparelhos de barbear, iria aumentar consideravelmente as vendas de lâminas descartáveis. “Bilhões de lâminas depois, este modelo de negócio é hoje a base para algumas indústrias: dê o telefone celular e venda o plano mensal; faça o console de videogame barato e venda jogos caros; instale uma máquina de café nos escritórios sem custo algum e venda o café”, escreve Anderson. “Graças a King Gillette, a idéia de que você pode fazer dinheiro dando algo não é mais radical. Mas, até recentemente, praticamente tudo ‘grátis’ era na verdade apenas o resultado do que os economistas chamariam de subsídio cruzado: você leva algo de graça se comprou outro, ou você leva um produto se pagou por um serviço.”

Na última década, porém, uma nova forma de “grátis” emergiu, não mais baseado nos subsídios cruzados – o desvio dos custos de um produto para outro – mas no fato de que os próprios custos dos produtos estão caindo rapidamente. Em analogia ao produto fabricado por King Gillette, é como se o preço do aço chegasse tão próximo de zero que ele poderia distribuir ambos, o aparelho de barbear e a lâmina e ganhar dinheiro vendendo outro produto. Creme de barbear, sugere Anderson.

“You know this freaky land of free as the Web”, afirma o jornalista com formação em física. Uma década e meia depois do seu surgimento comercial, a internet vai assistindo aos últimos debates em torno do conteúdo gratuito ou pago distribuído pela rede. Cada vez mais os serviços vão se tornando ou já nascem gratuitos, como o New York Times ou o YouTube, respectivamente. A partir daí, Anderson analisa alguns cenários e teoriza sobre uma taxonomia do grátis: “freemium”, onde produtos como softwares e serviços premium bancam a maioria disponibilizada de graça; anúncios, como os que remuneram por clique (os do Google, por exemplo); custo marginal zero para distribuição, caso da música on-line; trabalhos colaborativos, em sites como Digg e Overmundo, entre muitos outros; uma economia da generosidade, que podemos observar através da Wikipedia, por exemplo, e perceber que o dinheiro não é mais o único motivador, e que atividades individuais na web podem ter impacto global.

Estamos entrando em uma era onde o conceito “de graça” vai ser visto como a norma, e não mais como uma anomalia, pontua Anderson.

Fonte: http://www.portalliteral.com.br/

Uma Cultura Compartilhada: "Shared Culture"

In Arte, Artigo, Código Aberto, Cinema, Comunicados, Creative Commons, Cultura, Direito Autoral, DRM, Internet, Tecnologia, Variedades on 18 novembro, 2008 at 9:04 pm
Para celebrar sua campanha de arrecadação de fundos de 2008, o Creative Commons lançou “Shared Culture” (Uma Cultura Compartilhada), um vídeo do renomado cinegrafista Jesse Dylan. Conhecido por uma variedade de filmes, clipes musicais e inclusive o vídeo de campanha, “Yes We Can”, do candidato à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, Dylan visa divulgar a missão Creative Commons através de “Shared Culture”.

O vídeo conta com os principais pensadores por trás do Creative Commons que explicam como a organização está ajudando criadores a compartilharem suas obras com o público de maneira simples através de ferramentas gratuitas para permitir a disseminação legal e a própria criação de obras derivadas (ou “remixagens”).

São exibidos trechos de entrevistas intercalados com dezenas de fotos licenciadas em CC. A trilha sonora, composta de duas faixas da banda Nine Inch Nails, também destaca a funcionalidade da “cultura compartilhada” através das faixas “17 Ghosts II” e “21 Ghosts III”, também licenciadas em Creative Commons.

Acesse a página do “Shared Culture” para ter acesso a mais informações (incluindo créditos completos), a todas as imagens usadas e ao próprio arquivo do vídeo em diferentes formatos.


Fonte: http://www.creativecommons.org.br/

Livre é diferente de grátis

In Artigo, Código Aberto, Creative Commons, Direitos Autorais, Ebook, Internet, Literatura, Medula on 1 fevereiro, 2008 at 9:30 am
O que leva um autor a disponibilizar seu trabalho livremente na internet [ ou em qualquer outro meio ] é a divulgação.

O termo gratuito é relativo, já que há algum custo envolvido na parte de produção, mesmo em se tratando de um arquivo digital, como criação, tempo de produção, manutenção de link e do próprio site ou blog.

O preço de uma obra sempre é simbólico, tendo em vista a impossibilidade de quantificar em um valor monetário o tempo de aprendizado, criação, dedicação, originalidade, etc, despendido na tarefa.

O retorno que o autor espera é moral, isto é, o reconhecimento de seus talentos [ quando eles existem ] críticas que possam contribuir para o seu aperfeiçoamento e credibilidade junto aos leitores, possíveis editores e colegas de ofício.

A forma de retribuição por parte dos leitores, caso tenham apreciado a obra, pode ser exercida no auxilio à divulgação, indicando a obra e o autor à amigos e à trabalhos relacionados.

Todos sabem a importância da campanha “boca a boca” no campo das artes e do entretenimento, principalmente na internet. No cyberespaço o mesmo ocorre, link a link. E as redes sociais fazem com que o alcance dessas recomendações se torne, praticamente, ilimitado.

Então, caso você tenha gostado de uma obra livremente disponibilizada, retribua contribuindo com divulgação.

Em muitos blogs e sites, existe a venda de e-books e de serviços relacionados. Muitas vezes regulados por sistemas DRM. Downloads pagos, editoração, confecção de capa, etc.

Nada contra. Mas não podemos esquecer que os sistemas de DRM são, por natureza, contrários ao principio básico da internet: “transportar bits de forma rápida e barata.”

Acredito, portanto, que não será se utilizando de velhas fórmulas que encontraremos uma maneira justa de remunerar os autores por seus trabalhos disponibilizados livremente.

Google Books já digitalizou cerca de 65 milhões de livros

In Artigo, Ebook, Internet, Literatura on 7 janeiro, 2008 at 8:22 pm
O futuro do livro depois que sai do papel

Novas mídias como Google Books estão mudando o livro. Depois de digitalizadas, as obras aumentam seu alcance e ganham funcionalidades.

Por Juliano Spyer

Li na The Economist: o projeto Google Books já digitalizou cerca de 65 milhões de livros. Mas como tudo está sendo feito dentro da lei, o e-book não deve acompanhar a efervescência provocada pelo MP3 e os mecanismos de troca de arquivos. Ainda assim, o livro está mudando mais do que se percebe na superfície, em função das novas mídias.

Faz tempo que essa idéia ronda: por que o livro ainda não é compartilhado como a música e o vídeo? Resposta óbvia: porque ele não vem digitalizado e não pode ser facilmente digitalizado. E as editoras não oferecem o produto nesse formato supostamente por desconfiar de uma solução que facilita a cópia e a disseminação.

Também já faz algum tempo que eu escutei sobre projetos – O principal deles é o Google Books – de digitalizar livros para disponibilizá-los online. Mas não tinha me dado conta da dimensão dessa iniciativa. Segundo a The Economist, doze universidades fecharam acordos para liberar o acesso a seus acervos para a equipe do Google. Só da Universidade da Califórnia em Berkeley, a cada dia, três mil livros ganham versões digitais. E no total já estão prontos cerca de 65 milhões de títulos.

Leia na íntegra

Fonte: http://webinsider.uol.com.br

Experiência de consumo, downloads pagos, downloads gratuitos e novas idéias

In Artigo, Código Aberto, Internet, Literatura on 6 janeiro, 2008 at 9:52 am
Empresas oferecem sites que são apenas sites. Não há nada de novo sob o sol. Por sites, entenda janelas coloridas que nem sempre fazem sentido.

A credibilidade das grandes empresas e grandes marcas não justificam mais a preferência. Por exemplo, o que faz alguém optar por um programa de código aberto, como o Firefox, ao invés de utilizar o Intenet Explorer, que com certeza já está instalado em seu computador?

Dizer que isto ocorre em função do navegador ser gratuito é negar a complexidade do que vem acontecendo no mundo digital. Afinal, quando você compra seu computador você já pagou os serviços básicos que estão dentro dele, como o IE.

Diferente de sites que são apenas sites, de empresas que são apenas empresas e produtos que são apenas produtos, o Firefox oferece coisa nova. Uma nova maneira de navegar, uma nova maneira de lidar com o produto/serviço, através da da navegação customizada e da possibilidade de participar da construção de novas interfaces através do código aberto.

E este é atualmente o fator determinante do sucesso da economia online: a experiência de consumo.

Em seu artigo, Descobrindo a Experiência de Consumo, Marcio Reis diz que:

“A experiência de consumo de um produto tanto pode residir nos aspectos tangíveis como o produto em si (o desenho do interior de um veículo ou a rapidez de um serviço online), sua apresentação ao consumidor e seu preço, como nos intangíveis, desde a famigerada marca e seus valores até um processo de compra adaptado ao produto (para citar um mal exemplo, algumas online stores insistem em vender música digital usando a mesma experiência de compra dos CDs, mudando “apenas” o formato de entrega e deixando de gerar vendas e fidelização dos clientes através da experiência de consumo do download). Tangíveis ou não, os elementos que formam a experiência de consumo estão presentes em todos os produtos, sejam digitais, físicos ou qualquer mistura entre um e outro tipo. E encontram-se em lugares onde não está nem mesmo o dinheiro, como um fim de semana sem fazer nada (a rigor, uma experiência de consumo de tempo que pode substituir a experiência de consumo de vários produtos e serviços de entretenimento, exemplo de como até modelos de análise de concorrência precisam ser lidos de forma mais ampla).”

Antigas fórmulas não vão funcionar, e isto é um fato. Para ilustra melhor essa idéia, pense sobre este exemplo apresentado no mesmo artigo:

“Já que o Google anda em voga ultimamente, pense um instante se o segredo desse serviço está na sua simplicidade (que diminui dia após dia, a cada novo recurso incorporado), na rapidez e inteligência do serviço de busca (que é tecnologia pura, pode ser igualada e até mesmo superada por outras empresas), na marca (que não traz informação concreta que afirme se a popularidade do neologismo ‘to Google’ ou a simpatia às logomarcas comemorativas são causa ou conseqüência da adoção do serviço) ou se o toque de Midas está na agradável experiência de consumo do serviço, descrita em relatos como ‘lá eu encontro tudo que quiser; até o inimaginável se eu procurar, está lá’.”

Enquanto não houver uma novidade em termos de experiência de consumo, sites serão apenas sites.

Stephen King tentou contar com a honestidade de seus leitores, quando disponibilizou o livro digital “A Planta” em seu site, dizendo que cobraria um dólar pelo download de cada capítulo. O livro estava disponível, mesmo para quem não quisesse pagar por ele. King alertou que, caso 75% dos downloads não fossem pagos, ele pararia de escrever o livro. No primeiro mês o número de downloads pagos atingiu 76%, no segundo mês, não.

Muitos pagaram, King recebeu inclusive notas de um dólar pelo correio e até mesmo um dólar de prata. Não podemos esquecer, contudo, a lealdade já conhecida de seus fãs. Mesmo assim, a coisa toda não deu certo. Será que um escritor desconhecido conseguiria 30% de downloads pagos?

De qualquer forma, O que Stephen King fez, foi estabelecer uma nova maneira de seus leitores lidarem com seu produto/serviço. Talvez não tenha sido a melhor delas. Qualquer economista recomendaria não contar com a honestidade de seus clientes como principal estratégia de vendas, a menos é claro, que você seja dono de alguma seita. Mas ele tentou algo inédito e que serviu para nos mostrar que novas idéias, mesmo quando não funcionam, nos levam à novas idéias que talvez possam funcionar.

Não podemos nunca esquecer que um site não deve ser apenas uma janela para sua marca, seu produto ou serviço, um site deve oferecer uma nova maneira de lidar com tudo isso.

Um site deve, pelo menos, seguir os princípios básicos da internet, ou seja, tornar o acesso mais amplo, mais rápido, mais cômodo e/ou mais barato.

Se o seu site não faz isso, então ele é apenas um site. Apenas uma janela colorida que nem sempre faz sentido.

Com meu blog eu consegui oferecer meus livros à um número significativamente maior de leitores. Com as edições de pequenas editoras e de autor, a tiragem sempre é pequena, a divulgação é quase nula e a renda, mínima.

Ao disponibilizar meus livros neste blog tornei o acesso mais amplo, mais rápido, mais cômodo e mais barato.

Alguém pode dizer: “mas você não está ganhando dinheiro com isso!”.

E é verdade, mas antes eu também não estava.

Contudo, algo mudou e para melhor. Tive mais leitores em um mês do que em alguns anos de “carreira”. Não tive gastos com editoração, impressão, divulgação e distribuição. Recebo e-mails diários de leitores elogiando, incentivando, criticando, discutindo a trama dos livros, fazendo perguntas sobre personagens e pedindo mais. Alguns, poucos ainda, perguntam sobre uma possível publicação em papel, dizendo-se interessados em adquirir o livro em seu formato tradicional.

Estou tentando coisas novas, por enquanto esta idéia está funcionando dentro das metas que havia proposto. Futuramente não sei o que virá. Estou acompanhando o mercado, as tendências, os autores tradicionais, os autores virtuais e suas novas idéias e propostas.

Disciplina e paciência são tão importantes nesse caso, quanto as novas idéias.

E que venham as novas idéias!


Nota: citação Marcos Reis Pinto www.marcioreispinto.org

CULTURA LIVRE EM GUERRA

In Artigo, Código Aberto, Creative Commons, Direitos Autorais, Ebook, Internet, Literatura, Tecnologia on 15 dezembro, 2007 at 12:37 am

Por Pedro Alexandre Sanches no http://www.cartacapital.com.br/2005/11/3446

 

A gana em “preservar” o Mickey expõe as entranhas do direito autoral

 

Um advogado entrou em disputa judicial com Mickey Mouse. A estratégia de defesa de Mickey contou com o lobby de um congressista e ex-cantor chamado Sonny Bono, que nos anos 60 integrara a dupla de pop chiclete Sonny & Cher. O camundongo derrotou o advogado Lawrence Lessig na Suprema Corte dos EUA. Parece argumento debilóide de Hollywood, mas é a mais crua “vida real”.

 

A história não só não é ficção como rendeu um livro que, ele próprio, também parece (mas não é) uma peça de ficção. Cultura Livre, escrito de punho próprio por Lessig e lançado em 2004, acaba de ganhar uma edição brasileira, que só pode ser adquirida de uma maneira: gratuitamente.

 

O pó de pirlimpimpim capaz de dar liga a todas essas peças aparentemente inverossímeis é a causa a que Lessig se empenha desde 1997: a luta pela distensão da legislação vigente de direitos autorais (os copyrights, no linguajar em inglês com que são conhecidos e protegidos em todo o planeta). Para o autor, tal legislação caducou e se tornou cerceadora voraz de liberdade de expressão e criação artística neste mundo pós-internet, download, MP3, blog, fotolog etc.

 

Foi essa a causa do confronto aberto entre o homem e o simpático e quase heróico rato gerado em 1928 pela imaginação de Walt Disney. Obedecendo à legislação de proteção de copyright, em 1998, ao completar 70 anos de idade, Mickey adquiriria maioridade e ficaria independente de papai Disney. Cairia em domínio público e passaria a ser livremente manipulável não só pelo conglomerado que seu criador deixou como herança, mas por qualquer um, com qualquer finalidade, comercial ou não.

 

A Disney se apavorou com a idéia de perder a varinha de condão de lucro que as orelhas redondas do camundongo propiciavam por quase quatro gerações. Lessig não conseguiu barrar a aprovação do Ato Sonny Bono no Congresso, que estendeu por mais 20 anos, até 2018, a escravidão de Mickey (e de toda e qualquer obra criativa de faixa etária semelhante). O político Bono morrera pouco antes, e virou nome de lei porque, segundo teria afirmado sua viúva, acreditava que o copyright deveria ser eterno.

 

Segundo defende Lessig em Cultura Livre, não foi a convicção dos congressistas, mas sim um forte lobby econômico que deu vitória à perpetuação da proteção. Em 1790, a primeira lei de copyright estipulou que as criações seriam protegidas por 14 anos; de 1962 para cá, sob pressão de uma indústria cultural em brutal ascensão, houve 11 prorrogações consecutivas, rumo, talvez, à eternidade sonhada por Sonny.

 

De acordo com Lessig, dez dos 13 congressistas empenhados na aprovação do Ato Sonny Bono teriam sido irrigados pela Disney com o máximo de contribuição eleitoral permitida por lei. O conglomerado formado pelas maiores produtoras de cinema e gravadoras de discos dos EUA teria gastado US$ 1,5 milhão em lobby eleitoral em 1998, US$ 200 mil dos quais teriam ido diretamente para contribuições de campanha. “Estima-se que a Disney tenha contribuído com mais de US$ 800 mil para campanhas de reeleição na época”, escreve.

 

O livro esmiúça esse e outros embates entre aqueles que apelida de “guerreiros” e “extremistas” do copyright e o seu próprio grupo, tachado pelos opositores como “esquerdista” e, idem, “extremista”. Defende a idéia avessa, do copyleft e dos chamados Creative Commons, contracorrente que defende, em vez do lema de “todos os direitos reservados”, um outro mais tolerante e maleável, de “alguns direitos reservados”.

 

No percurso, aborda uma série saborosa de exemplos e estudos de caso, demonstrando que os que hoje mais se debatem contra a pirataria on-line fundaram seus próprios impérios na prática da… pirataria.

 

Relembra, por exemplo, que Mickey Mouse veio ao mundo no desenho animado Steamboat Willie, uma paródia do filme Steamboat Bill, Jr., do comediante Buster Keaton, que por sua vez se referia à música Steamboat Bill. Acrescenta que grande parte da obra cinematográfica de Disney (Branca de Neve, Pinóquio, Cinderela…) era apropriação criativa, sem copyright, de contos de fadas de Irmãos Grimm e anexos.

 

“A indústria cinematográfica de Hollywood foi construída por piratas em fuga”, provoca, descrevendo a migração de criadores para a Califórnia, no início do século XX, para escapar ao controle de patentes.

 

Lessig insiste em repetir que não, não é portador de idéias subversivas ou radicais. A necessidade, argumenta, é de que se revise uma legislação pública que, desde o advento da internet, vem abocanhando nacos polpudos antes pertencentes à vida privada dos cidadãos. Coibir com processos milionários adolescentes que fazem troca virtual caseira e não comercial de música seria, para ele, um modo de travestir de suposto interesse público a defesa oligopolista de interesses comerciais privados.

 

Leia na íntegra em http://www.cartacapital.com.br/2005/11/3446

 

Ou faça o Download do Livro Cultura Livre de Lawrence Lessig legal e gratuitamente na sessão ebooks.

Meu nome é Hugo e eu compartilho arquivos

In Artigo, Código Aberto, Creative Commons, Direito Autoral, DRM, Internet on 6 dezembro, 2007 at 7:37 am
DRM – dois pesos e duas medidas

Por lógica, quando você paga por alguma coisa essa coisa passa a ser sua e você pode fazer com ela o que quiser, basicamente. Desde que respeite os direitos do autor. Por exemplo: eu comprei um livro, o livro é meu e eu posso ler, queimar, rasgar, dobrar as orelhas, fazer anotações e principalmente compartilhá-lo. Sim, emprestar um livro a um amigo é compartilhar arquivos. Um estudo diz que um livro comprado geralmente pode ser lido por cinco, até dez pessoas. Isso é compartilhar arquivos.

O que eu não posso fazer com o livro é desrespeitar os direitos do autor, ou seja, não posso sair por aí dizendo que foi eu quem o escrevi. Mas vejam só, depois que eu li o livro e todos os amigos a quem emprestei o livro o leram, eu posso vendê-lo à uma loja de livros usados. E isso não é considerado crime.

E em muitas dessas lojas de usados, se vende e se compra CD de músicas, filmes, jogos e até mesmo programas de computador. E isso não é considerado crime.

Mas se você compartilha arquivos pela Internet, mesmo os arquivos que você pagou, isso sim é crime.

Aqui morre toda a lógica da DRM ( Digital Rights Management ). São dois pesos e duas medidas, sempre lembrando que a Lei de Direitos Autorais não é uma lei moral e sim uma lei de regulamentação prática, sempre “emendada” à favor de interesses econômicos, por vezes, distantes da lógica dos demais direitos e da moral.

Quando você pega um livro emprestado em um biblioteca, você está compartilhando arquivos. Quando você chama seus amigos até a sua casa para assistirem um DVD que você comprou legalmente ou alugou em alguma locadora de filmes, vejam só, você está compartilhando arquivos! Você não vai ser preso por isso, pode ter certeza.

A DRM é o oposto a difusão de conhecimentos. Por conseqüência, é oposta ao conceito básico da internet e dos computadores.

Como diz Cory Doctorow, o computador nada mais é do que uma máquina que manipula bits e a internet nada mais é do que uma “máquina” que transporta bits de forma rápida e barata e ponto final.

Um sistema que vai contra essas premissas básicas, não pode ser lógico, não pode ser aceito e com certeza, não deve perdurar.

Carpe Diem uma ova, não aproveite o dia, vamos acabar com esta sociedade de virgens suicidas

In Artigo, Crônica, Variedades on 5 dezembro, 2007 at 7:20 am
É engraçado como certas coisas são encaradas com ingenuidade e pureza e que, mesmo não havendo má intenção, são na verdade nocivas quando fora do contexto.

A expressão carpe diem, por exemplo “colha o dia” ou “aproveite o dia” como se popularizou por aí, na verdade não é tão pura quanto parece.

A expressão surgiu na fase final e decadente do Império Romano onde o clima de fim do Império e fim do mundo como a sociedade romana o conhecia era o estado que realmente “imperava”. A expressão está mais para: “nada importa, tudo vai pro espaço, relaxe e goze”, do que para: ” viva plenamente”.

E não podemos esquecer que na sociedade romana só os homens e, homens livres, é que podiam realmente relaxar e gozar.

Existe ainda a questão ética, tanto de responsabilidade social quanto ambiental. Fica fácil entender porque todos só querem aproveitar o dia, afinal o que os profetas do Apocalipse estão nos dizendo? Eles dizem não haverá água potável, não haverá isso ou aquilo etc…

Agora pergunto: se todos estão por aí aproveitando o dia, quem, quem vai evitar que o pior aconteça? Se no mundo das “mauricinhas e dos patricinhos” onde todos os menininhos e menininhas criados à leite moça, confundem desejos com direitos, isto é, “se eu quero, eu tenho direito e papai tem que me dar se não ele não me ama”, quem vai salvar essa joça?

Por isso uma sociedade de virgens suicidas. Por isso uma nova geração de menininhas e menininhos que só quer relaxar e gozar, uma geração que não acredita no futuro e bebe todo o presente até passar mal, ou até que a água bata na bunda, porque aí, meu amigo, ninguém é mais ateu.

Ao assistir recentemente a uma palestra com o filósofo paranaense Mário Sérgio Cortella, uma frase citada me chamou a atenção: “o mundo que daremos aos nosso filhos depende dos filhos que daremos ao nosso mundo”.

Ao ouvi-la, o que pensei foi: estamos ferrados!

Sendo assim, então, aproveite o dia, porque afinal é tudo culpa dos nossos pais. Tudo está tranquilo enquanto “eu ainda sou o filho e hoje canto essa canção”, mas… “o que cantarei depois?”.

De repente você está com quarenta e não é mais o filho, ou pior, de repente você está com treze anos e e já não é mais o filho. E o que cantará depois?

Eu não quero apenas aproveitar o dia, eu sempre quis salvar o mundo, mesmo que, na maioria das vezes acabava por enfiar os pés pelas mãos. Passei a fase de ser herói, de querer ser bombeiro ou policial, pra salvar o bom e punir o mau, mas mesmo hoje acho que arriscaria minha vida pra salvar um estranho.

Quando li Daniel Quinn, pirei. Queria ter respondido àquele anuncio e ter sido aluno de Ismael.

Eu quero salvar o mundo, mesmo não sabendo como, mesmo não sabendo ao certo o que fazer.

Já faz um bom tempo, fui convidado por um professor amigo meu a falar sobre um de meus livros para um grupo de alunos e um deles me perguntou: “que mensagem você queria passar com o livro?”. Nunca havia pensado sobre isso, até então. E acho que o que respondi foi: “não quis passar mensagem alguma, quis apenas contar uma história legal, espero ter conseguido”, ou algo assim. Mas não é verdade. Hoje sei que não.

Em todas as minhas histórias há o herói que eu não fui. Acho que foi Stephen King quem disse ( ou pelo menos citou em A Hora do Vampiro [ pobre Ben Mears e pobre Mark Petrie ] ) que um livro é uma confissão de tudo o que o autor não fez. Em minhas histórias está presente o herói que eu não fui, por acaso ou incompetência, eu não sei. Mas essa é a mensagem.

Meu personagem principal morreria por você sem pensar duas vezes. Ele não espera agradecimentos, ele não sabe se vai ficar com mocinha no final ( e talvez não fique, provavelmente não, afinal tudo é nada no pequeno teatro dos horrores ), ele apenas faz o julga certo e aguenta as consequências.

Sempre quis escrever profissionalmente desde criança, não sei se sou bom o bastante, mas acho que é o que sei fazer de melhor. Recebi um e-mail de uma pessoa que me disse: “puxa, li seu livro na hora certa, era exatamente o que eu estava precisando, muito obrigado”, mas era uma história de terror e, quer saber? Descobri que isso não importa. Descobri que essa pessoa encontrou o que precisa na história que escrevi, não sei como, nem onde, mas desconfio que sei em quem. No herói, ou melhor, no sacrifício do herói.

Talvez não precise muito para fazer algo pelo próximo afinal. Talvez você precise apenas continuar acreditando que o que você faz é importante a despeito do que as outras pessoas digam.

Talvez seja isso que posso fazer para salvar o mundo? Não sei. Posso estar errado e, ultimamente, na maioria das vezes parece que estou, mas acho que sei contar um história bacana, e agora sei qual a mensagem que tenho passado, mesmo inconscientemente. A mensagem do sacrifício do herói, e descobri que ela funciona pra mim, pois ainda quero ser melhor do que sou, ainda tento prezar pelo bom senso, ainda quero ser herói e com certeza não quero apenas aproveitar o dia.

Portanto, Carpe Diem uma ova, não aproveite o dia, vamos acabar com esta sociedade de virgens suicidas.

Já que dizem que a vida começa aos quarenta, então prepare um parto bem bonito, descubra o que você faz de melhor e comece a fazer. E não duvide, por mais difícil que possa ser, não desanime, por mais que os outros não entendam ( e a maioria não vai entender, acredite ), se você vier a cair ( e você vai cair, por mais vezes que pareça suportável ) levante e volte à prancheta. Tenha paciência, tenha disciplina, só você sabe o quanto pesa o seu sonho. Seja louco e ingênuo o quanto for necessário e por favor, pare de aproveitar o dia, pois ainda é tempo.

Copyfarleft & Copyjustright? Dmytri Kleiner

In Artigo, Código Aberto, Creative Commons, Direitos Autorais on 29 novembro, 2007 at 2:19 pm

Link para o Artigo de Dmytri Kleiner com tradução de Raphael S. Andrade sobre as implicações das licenças autorais, tanto “de direita”, quanto “de esquerda”.

Kleiner é ( obviamente ), um tanto quanto tocado pelo marxismo, contudo, comenta vários pontos interessante e elementais sobre a propriedade intelectal.

[ trecho ]

Os desafios ao copyright tradicional resultantes das aplicações de peer-to-peer, software livre, partilha de ficheiros e arte apropriativa provocaram um vasto debate sobre o futuro do copyright. Dmytri Kleiner usa as críticas actuais da propriedade material oriundas da esquerda como base de apoio da produção artística copyleft e pergunta de que modo é que os artistas poderão ganhar o seu sustento no interior do regime de copyright vigente.

Na área do desenvolvimento de software o copyleft demonstrou ser um instrumento formidavelmente eficaz de criar um commons de informação que beneficia amplamente todos aqueles cuja produção depende dele. Contudo, muitos artistas, músicos, escritores, cineastas e outros produtores de informação permanecem cépticos quanto à possibilidade de um sistema baseado no copyleft onde todos possam reproduzir as suas obras lhes assegurar um meio de subsistência.

As licenças copyleft garantem a liberdade da propriedade intelectual ao exigirem que a reutilização e a redistribuição da informação seja regulada pelas “quatro liberdades”, a liberdade de usar, estudar, modificar e redistribuir.

Contudo, a propriedade é inimiga da liberdade. É a propriedade, a capacidade de controlar à distância os bens de produção, a capacidade de “possuir” algo empregue para uso produtivo por outra pessoa que possibilita a subjugação de indivíduos e comunidades. Onde a propriedade é soberana, os proprietários da propriedade escassa podem negar a vida ao negarem o acesso à propriedade. Quando não negam totalmente a vida, então transformam os vivos em escravos por um salário que não ultrapassa os seus custos de reprodução.”

Ler todo o Artigo…

DIREITOS DE AUTOR AMIGOS DO UTILIZADOR

In Artigo, Código Aberto, Creative Commons, Direitos Autorais, Internet, Música, Tecnologia, Variedades on 29 novembro, 2007 at 1:57 pm

ccweb“Proibido o direito de reprodução”. De tal forma nos habituámos a encontrar esta mensagens em cada DVD ou CD que, para a maioria das pessoas, torna-se difícil acreditar que existem outras formas de protecção da propriedade intelectual que não passem necessariamente por um sistema que mantenha “todos os direitos reservados”. Perante as crescentes restrições do sistema de copyright aos direitos dos consumidores, um movimento iniciado em 2001 por um conjunto de professores universitários, advogados e artistas tem lutado pela criação de um sistema que, embora garantindo a protecção intelectual das obras, defenda o uso público e universal da criação intelectual. 

Este movimento, conhecido por copy left, esteve na origem de um original e flexível sistema de protecção intelectual, as Creative Commons. Desde 2003, este sistema tem vindo a ser crescentemente utilizado por artistas e autores, permitindo-lhe definir a forma como o seu trabalho pode ser reproduzido ou modificado legalmente.

 Existem dezenas de licenças, adaptadas à legislação de 40 países, sendo as mais comuns as que permitem a livre difusão ou alteração dos conteúdos protegidos – desde que permaneça visível o nome, ou sítio da internet, do seu autor original. Segundo os seus proponentes, a flexibilidade deste sistema de licenciamento permite a protecção legal aos autores sem espoliar a comunidade dos meios para difundir e divulgar o conhecimento.

 O Copy left e as Creative Commons aparecem como uma reacção às alterações legislativas que, nos Estados Unidos da América e na maioria dos países industrializados, têm tornado os sistema de protecção intelectual cada vez mais antagónico com os direitos dos consumidores.

 Argumentando que a facilidade das cópias digitais punha em causa o seu modelo de negócio, as empresas de entretenimento forçaram a alteração da legislação sobre o copyright, aumentando os direitos de propriedade intelectual em mais 20 anos. Com a sucessiva ameaça de processos judiciais sobre os distribuidores de conteúdos na internet, passaram, de facto, a ter um verdadeiro poder de veto sobre a informação publicada na internet.

 O mais recente exemplo vem do Youtube, o canal de distribuição de vídeos na internet recentemente adquirido pelo Google, que começou ontem mesmo (27 de Outubro) a enviar e-mails aos seus utentes avisando que, pressionados pelos advogados da Comedy Central, a maioria dos vídeos desta empresa (South Park, Colbert Report, ou Daily Show with John Stewart) vão ser retirados do “ar”.

 Progressivamente, é a própria definição de protecção de direitos de autor que tem sido posta em causa. Longe de se limitarem a acrescentar entraves à difusão da produção intelectual, as mesmas leis que proíbem a cópia de segurança de um Dvd doméstico têm aberto espaço para o até aqui inatacável direito de qualquer consumidor a deter aquilo pelo qual pagou – como é o caso de algumas das lojas que alugam e vendem música digital.

 Ao mesmo tempo que esta tendência se mantém, o sucesso da blogosfera tem empurrado o sucesso desta alternativa aos “direitos reservados”.  Desde que foram criadas, em 2003, já foram emitidas mais de 250 milhões de licenças com o já famoso logótipo das Creative Commons – 100 milhões nos últimos seis meses.

 Se é certo que as Creative Commons têm sido mais utilizadas para o licenciamento de fotografias ou ilustrações na internet, a sua utilização começa rapidamente a alastrar-se a outros domínios. O Governo brasileiro anunciou recentemente que todos os arquivos da agência noticiosa do país, incluindo 150 mil fotografias, passarão a ser do domínio público através de uma destas licenças. A BBC tem parte dos conteúdos musicais e vídeo do seu site licenciados por este sistema. 

 Vários músicos, como os Pearl Jam, Beasty Boys ou David Byrne, têm apoiado e licenciado parte da sua obra desta forma. Este último artista, em conjunto com Brian Eno, assina uma nova edição, para quem queira modificar e reutilizar, de uma das suas obras culto, “My Life in the Bush of Ghosts”, de 1981.

 Gilberto Gil, o popular músico e ex-ministro da cultura, brasileira, depois de anos de lutas judiciais com as suas editoras, tem todo o seu catálogo licenciado através das Creative Commons. Este último artista, em conjugação com a mais improvável das empresas, encontra-se também ligado a outro momento chave para as Creative Commons. Foi um seu discurso, como ministro da cultura brasileiro, o primeiro documento a ser licenciado com a nova ferramenta do Microsof Office que permite a inclusão, automática, em cada documento produzido nestes programas, de uma Creative Commons.

Dez anos depois da febre da internet, e das promessas originais de difusão quase ilimitada do conhecimento, as Cretive Commons são a ferramenta que mais perto está de cumprir esse espírito, não tratando os cidadãos como meros consumidores dos objectos culturais mas como parte interveniente no seu processo de criação, difusão e partilha.

Pedro Salles / http://www.esquerda.net

Pulp Fictions, arrá, urrú!

In Artigo, Literatura on 31 outubro, 2007 at 6:03 pm
“Coisas estranhas e instigantes acontecem e nos fazem sonhar com o que a ficção especulativa brasileira poderia fazer, adaptando influências estrangeiras, descobrindo estratégias para a representação da realidade local, se as condições fossem outras.”
Roberto Causo
Pulps
A história dos Pulps começa em 1896, quando o editor Frank Monsey resolveu transformar uma revista para meninos, The Argosy, numa revista de ficção adulta. O papel, mais barato, era feito da polpa da árvore, daí o nome pulp (polpa). A publicação custava apenas um centavo, o que a tornava acessível a todos.
Nos Pulp Ficitons surgiram: Trazan, Doc Savage, Capitão Futuro, Conan, Buck Rogers, Fu Manchu, O Sombra e muitos outros. O escritor Walter Gibson, sob o pseudônimo de Maxwell Grant escreveu nada menos que 283 histórias do personagem, transformando-o num fenômeno mundial. Até no Brasil o Sombra chegou a ter um programa de rádio.
Os Pulps apresentavam histórias sombrias e fantasiosas sobre combatentes do crime, ameaças alienígenas, monstros, heróis, anti-heróis, ficção científica, terror, faroeste e até revistas sobre submarinos, zepelins e coisas do tipo. E revelou autores como: Edgar Rice Burroughs, Edmond Hamilton, Isaac Asimovc, Ray Bradbury e Dashiell Hammett, autor de O Falcão Maltes e criador do romance noir, que teria grande influência sobre escritores badalados, como o brasileiro Ruben Fonseca.
No Brasil a ficção “alternativa” e subgêneros, pode ser encontrada já no século XIX, em Noite na taverna, de Álvares de Azevedo (1878); O Doutor Benignus, de Augusto Emílio Zaluar (1875); o conto “O imortal”, de Machado de Assis (1872; 1882); e entre 1920-1950 — por exemplo, O presidente negro ou O choque das raças, de Monteiro Lobato (1926), analisado por André Carneiro em um estudo pioneiro, Introdução ao estudo da “Science Fiction” (1967); A filha do Inca ou A República 3000 (1930), de Menotti del Picchia; “O homem silencioso” (1928) e Zanzalá e Reino de Deus (1938), de Afonso Schmidt; “O mistério de Highmore Hall”, “Makiné” e “Kronos kai Anagke” (1929-1930), de João Guimarães Rosa, redescobertos por Braulio Tavares na Biblioteca Nacional; A cidade perdida, de Jerônymo Monteiro (1948), além de vários textos contemporâneos dos anos 1980 e 1990.
E como fica essa ficção com cara de Brasil?

Gabriel Garcia Márquez diz que o maior desafio para os escritores latino-americanos é a insuficiência dos recursos convencionais para fazer crível a vida que se leva por aqui. E a resposta para isso se encontra justamente na essência da Ficção Científica, Fantástica ou Ficção Especulativa, ou seja: o conceito de “fantástico” só tem vigência em relação a um conceito particular de “real”. Como realmente ninguém sabe o que é a realidade, pois só há interpretações múltiplas da mesma, também o fantástico é um diferencial, variando historicamente. Na boa ficção especulativa, afirma o Roberto Causo, o fantástico é meio de pluralizar e relativizar a racionalidade dominante. A expressão “ficção especulativa”, que prefere a “ficção científica”, indicaria o que caracteriza nuclearmente o gênero: a especulação sobre os limites da noção de “real”.
E por que não se formou uma pulp fiction ou uma pulp era por aqui?
Bem, se já é difícil editar textos da literatura apoiada por críticos, historiadores literários e pela instituição escolar, mais difícil ainda é publicar literatura especulativa não vista com bons olhos pelo meio literário, que as taxam de “americanizadas”, como se a influência norte americana fosse melhor ou pior que a portuguesa, ou talvez a indígena, ou a francesa, ou quem sabe a africana? As editoras brasileiras preferem traduzir obras de ficção especulativa estrangeiras que, por existirem em grande quantidade e já terem recebido direitos autorais em seus lugares de origem, saem mais baratas que o texto de autor nacional. Além disso, como aponta outro estudioso do gênero, Braulio Tavares, por aqui não houve grandes obras produtoras de imitações, nem se organizou nenhum grupo de autores unidos no projeto de inscrever a ficção especulativa na história literária do país.
No entanto, a mitologia criada pelos Pulps é tão forte que impregnou o cinema, os quadrinhos e a imaginação de milhões de pessoas no mundo todo. De Indiana Jones ao Super-homem, a cultura pop deste século deve muito aos Pulps Fictions.
Particularmente falando, agora, peço licença para dar um depoimento pessoal, pois como todo bom e típico brasileiro, fui criado assistindo as porcarias enlatadas/pré-moldadas de Hollywood, maravilhosos filmes ruins de terror e violência. Eu não nasci em uma fazenda e a primeira vez que vi uma vaca foi pela televisão. Então, Deus salve a América do Sul também! Nunca vi um engenho de cana, não existem pescadores na minha família e é exatamente isso que me torna tão brasileiro quanto qualquer um. Isso e o rock and roll, é claro. Devido ao meio literário brasileiro e suas restrições, me debati durantes anos para aceitar o queria realmente ser: não apenas escritor, mas um escritor de Pulp Fictions.

Nota: O texto acima contém idéias e explanações originais pinçadas dos seguintes autores: Ivan Carlo, Roberto Causo, Braulio Tavares, João Adolfo Hansen, Jackson do Pandeiro e Gabriel Garcia Márquez.